domingo, 8 de março de 2009

Santo Agostinho (Patrística)

Aurélio Agostinho nasceu em 354 em Tagasta, pequena cidade da Numídia, na África. Defende o postulado da existência mundos antagônicos: a cidade celeste e a cidade terrena. O conjunto dos seres que vivem para Deus, em função da glória divina constitui a cidade celeste. A reunião de pessoas que vivem em função do mundo material, desprezando a vontade divina gera a cidade terrena. A cidade celeste é formada por seres que desapegaram totalmente do mundo material e a cidade terrena é formada por pessoas que estão apegadas as coisas do mundo. O amor dos seres que estão na cidade celeste é denominado de “charitas” e o amor das pessoas que estão na cidade terrena é o amor “cupiditas”. “Charitas” é o amor por Deus e o amor “cupiditas” é o apego a qualquer coisa do mundo material.

Deus está no interior de cada alma e Deus é a verdade, assim sendo a verdade deve ser buscada não nas coisas materiais e sim no interior da própria alma, é a alma buscando a verdade em si mesma. Deus no interior de cada alma deve ser gradativamente desvelado e neste desvelamento a alma se desenvolve. Desenvolvimento significa ampliar o nível de consciência pelo desvelamento de Deus que é a verdade absoluta. A alma busca Deus e Deus ilumina a alma que O busca. A iluminação torna visível e compreensível as verdades eternas, sendo que a iluminação é uma luz mediante a qual Deus irradia na mente humana as verdades absolutas, imutáveis. Quando o ser humano é iluminado ele se transforma até na corporeidade do seu ser. Juntamente com o modo de pensar, muda também o modo de viver. A verdade está no interior da alma humana em um nível mais profundo que o raciocínio. Transcender a si mesmo é transcender o seu próprio raciocínio e encontrar com Deus em seu próprio interior.

A alma não necessita do corpo físico para desenvolver suas atividades e somente precisa de um corpo material quando está apegada aos desejos do corpo. A alma somente desenvolve suas atividades sem o corpo quando ela conhece a si mesma descobrindo que é uma substância independente do corpo e diretamente relacionada com o divino em seu próprio interior.

O mundo material em si não é o mal sendo que o mal passa a existir em decorrência da alma se apegar as coisas do mundo. O apego as coisas do mundo ocorre devido à privação da perfeição por parte da alma, a causa do mal está no nível de consciência da alma que centra sua percepção nas coisas do mundo. O mal não é uma realidade, mas a negação da realidade divina. A culpa está na alma por afastar-se do bem supremo. Quando a alma se afasta do bem imutável e se volta para um bem particular ela peca e nisso consiste o mal. O mundo material é finito, mutável, transitório e quando a alma passa a viver em função da finitude, mutabilidade e da transitoriedade surge o mal, a culpa, o pecado.

O sofrimento do ser humano é conseqüência do apego da alma ao mundo material. O apego da alma ao mundo das dimensões materiais provoca os temores, desejos, ansiedades. A alma ligada ao mundo material está sempre atormentada porque sempre está perdendo alguma coisa que julga sua, está sempre aflita para conseguir sempre alguma coisa a mais do que possui, encoleriza-se, quando ofendida. A alma prisioneira dos sentidos e do mundo físico está sempre envolvida com a inveja e com uma infinidade de paixões, e tudo isto por ter abandonado a sabedoria.

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